| CREA-RJ APONTA FALHAS TÉCNICAS E DE GESTÃO NA PLATAFORMA P-36 Fernando Sampaio Falhas técnicas e de gestão da Petrobras e no gerenciamento operacional da plataforma P-36. Estas foram, segundo o relatório final da Comissão Especial do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ) as principais causas das explosões e do afundamento da P-36, na Bacia de Campos, no dia 15 de março, que causou a morte de 11 trabalhadores e a perda total da plataforma. Segundo o presidente do Crea-RJ, José Chacon de Assis, a construção da plataforma foi mal feita e Sua entra a em operação, antecipada indevidamente. "O grande erro de gestão foi o fato da antecipação do tempo de montagem, da transformação da plataforma de perfuração para plataforma de produção, que foi feita no Estaleiro Davie, em Quebec, no Canadá. A aceleração dessa montagem pode ter trazido alguns problemas", comentou. Além disso, ele informou que houve também erro de projeto, "profundo e claro, quando foi colocado um tanque de drenagem de emergência dentro de uma das colunas de toda a plataforma, fazendo Com que, quando ocorreu a explosão, realmente ela ficasse sem sustentação", afirmou Chacon. O relatório do Crea-RJ será encaminhado ao Ministério Público, ao Ministério do Meio Ambiente, à Agência Nacional de Petróleo (ANP), à Marinha do Brasil, à Assembléia Legislativa do Estado (Alerj) e ao Congresso, com pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para responsabilizar os envolvidos no acidente. A Comissão Especial solicita, ainda, que a CPI investigue também os contratos de serviços feitos pela Petrobras, a qualidade e a origem dos equipamentos adquiridos por ela, a qualificação da mão-de-obra, a política de certificação de suas unidades operacionais e a causa dos elevados números de acidentes com funcionários da estatal e de empresas terceirizadas. Segundo técnicos do Crea-RJ e líderes sindicais do setor petrolífero, só nos últimos três anos, 97 trabalhadores morreram em diversas áreas da empresa. A perda total da P-36 gerou prejuízo estimado em R$ 1 bilhão e a Petrobras deixou de produzir 80 mil barris/dia e 1,3 milhão de metros cúbicos de gás diariamente, segundo o relatório. Aepet aguarda resultados da CPI da Alerj Claudio Eli O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, disse ontem que aguarda com expectativa a divulgação, na próxima segunda-feira, do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para apurar as causas do acidente com a Plataforma P-36. "O relatório deverá recomendar uma investigação tanto da atual Diretoria da Petrobras como da anterior, quando Joel Mendes Renó era presidente", explicou. O relatório também deve sugerir uma ampla investigação da Polícia Federal sobre a possibilidade de ter ocorrido sabotagem no caso. "Isso não é impossível, porque nós constatamos nada menos que oito erros", disse, considerando que a sabotagem apressaria a privatização da estatal, com os preços mais baixos do mercado. Siqueira informou que a Petrobras, no ano passado, foi consagrada, pela segunda vez, como a melhor empresa do mundo em tecnologia. Além disso, a revista "Forbes" (na edição de 2 de outubro) a elegeu como a oitava empresa Mais admirada do mundo. "Diante disso tudo, o mínimo que se pode imaginar é que o acidente com a P-36 e outros que, vêm ocorrendo no sistema Petrobras têm por objetivo retirar-lhe o prestígio e justificar a privatização". |
Fonte: CREA - RJ

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