Na manhã de sábado, 29, teve início a Jornada de debates sobre os 50 anos da ditadura militar. A primeira palestra foi do companheiro Alejandro Acosta, sobre “A ditadura e o milagre econômico”.
Nesse primeiro dia de debate o objetivo era as bases para o desenvolvimento da ditadura militar, econômico e político. Para dar um panorama geral da palestra vamos fazer um breve resumo.
A palestra começou com um retorno aos anos anteriores, que precederam o golpe, mais do ponto de vista da economia. Para entender esse desenvolvimento, o companheiro Alejandro voltou à década de 30 para falar do acúmulo da República Velha e lembrar da crise que levou às revoluções tenentistas no período até a Revolução de 30.
A Revolução de 30 abriu espaço para o desenvolvimento das forças produtivas com características nacionalistas. Mesmo no Estado Novo que foi o governo semi-fascista de Vargas. Porque esse era um desenvolvimento natural da economia.
A 2ª Guerra Mundial impulsionou as tendências nacionalistas na América Latina que pode se ampliar devido a fraqueza do imperialismo, desgastado pela guerra. É o período de desenvolvimento da indústria nacional na siderurgia, petróleo etc.
Um golpe para conter as forças do movimento operário
Após a morte de Getúlio Vargas assume o poder Juscelino Kubitschek sua grande obra, a construção de Brasília, primeira grande obra que resultou no exponencial crescimento e endividamento do país.
Entra João Goulart e começa o ascenso do movimento operário na década de 60. O golpe militar foi dado para frear as tendências revolucionárias que cresciam no País e o desenvolvimento da indústria nacional para entregar a economia para o imperialismo.
A ditadura começa com Castelo Branco e o PAEG para “estabilizar” a economia, mas na verdade é a entrega da indústria para os monopólios o que não durou por causa da crise mundial. Ele é quem começa os ataques aos sindicatos, mas o objetivo é sempre atacar em larga escala as condições de vida dos trabalhadores.
Nesse governo são editados os Ato Institucional número 1 e 2. Na sequência, entra o governo Costa e Silva, quando são editados o AI 3 e AI 4. É marcado pelo movimento estudantil de 1968.
Entra então Médici que fica no governo até 1973.
O tal milagre econômico
O milagre econômico estava baseado basicamente no investimento em obras de infraestrutura. O que possibilitou crescimentos superiores a 10% ao ano, e muito prejuízo.
Os principais projetos foram: Hidrelétrica de Itaipu; Ponte Rio Niterói; Projeto Carajás; Projeto Jari; Pró-alcóol; Transamazonica; Radan; Usina de Angra, e outros.
- Itaipu foi construída por construtoras francesas e brasileiras a lucros extraordinários; - Projeto Carajás só agora está sendo concluído; Jari era para ser um pólo petroquímico no Pará que faliu e deixou prejuízos; a Transmazonica todo mundo conhece como um projeto faraônico, na verdade dói feito para controlar a Amazônia militarmente e promover o lucro através do desmatamento, facilitando a produção de minerais abrindo a mata também para plantação de cana.
O objetivo era simples, garantir lucros aos capitalistas e a robalheira do governo. Neste período ficou conhecido o apelido do ministro Delfim Neto, o homem dos 10%).
A crise econômica e o ataque às condições de vida dos contra os trabalhadores
Para se ter uma ideia, em 21 anos de ditadura a dívida pública subiu 30 vezes. Em 1964 era de 3 bilhões, em 1985 estava em 90 bilhões. Hoje o endividamento é de 4 trilhões e o governo reserva 47% do orçamento nacional para garantir essa dívida através do superávit primário.
É importante destacar que as empresas que se favoreceram do regime, participaram dele o apoiando de diversas maneiras. É conhecido que o jornal Folha de S. Paulo emprestava carros para o transporte de presos. E a Ultragaz financiou e participou de torturas.
Enquanto isso, as condições de vida dos trabalhadores foram brutalmente atacadas.
Os salários rebaixaram brutalmente. Em 1974 o salário era metade do que era em 1960. Isso porque os trabalhadores não tinham direitos, sindicatos, nem data base. Na conta da cesta básica: em 1959 um trabalhador precisava de 65h para comprar sustentar sua família, em 1974 era necessário 165 horas.
A concentração da riqueza também foi às alturas. Em 1974, 4% da população concentra 37% da riqueza nacional. Antes era 26%.
A ditadura quase levou o Brasil à bancarrota. As obras geraram especulação financeira na bolsa que já em 1971 começaram a cair. Em 1974 explodiu a crise do petróleo em todo o mundo. Aqui no Brasil o preço do petróleo aumenta e as exportações nacionais caem. Esse é um fator fundamental para da crise da ditadura.
Com Geisel inicia-se a abertura da economia. 1976 é o período de crise e de ascenso estudantil e do movimento operário. Isto devido ao aumento inflacionário e ao desemprego. Uma conclusão do marxismo é que a classe operária se movimenta por condição material ou se movimenta ou morre.
Nessa época a realidade brasileira e em todo mundo era de inflações nas alturas. Não foi por menos que Lênin disse que a inflação é um fator dos mais revolucionários. No Brasil em 1973 a inflação era de 15% ao ano; em 74, 34%; em 79, 90%; em 80%, 110%; em 83, 200%. Em 1983 as oposições sindicais tomam os sindicatos pelegos e fundam a CUT.
Em 1985 ocorrem 15 mil greves. Todas as ditaduras caíram com base essa base material. Elas caíram por causa dessa crise. Mas os governos seguintes deram sequencia à mesma política com a fachada democrática. O que o Castelo Branco não fez, os governos civis do PMDB, PSDB e PT fizeram, sem a aparência de milagre econômico e com fachada democrática.
Um exemplo foi a venda pelo PT do campo libra. Política pró-imperialista e neoliberal. Querem tudo a nível de terra arrasada repetir e aprofundar os ataques da ditadura militar.
Mas o PT não tem condições de aplicar todos esses ataques. É tarefa para a direita, que, no entanto, não consegue se eleger. Esse enfraquecimento é o que leva à movimentação golpista, como ocorreu no Egito e na Ucrânia.
O próximo período deve ser de grandes greves e luta aberta entre a classe operária e a burguesia, que tenta impulsionar o fascismo e o golpismo.
#GolpeNuncaMais #50AnoDoGolpe
(texto copiado)
Fonte: Causa Operária online
Nesse primeiro dia de debate o objetivo era as bases para o desenvolvimento da ditadura militar, econômico e político. Para dar um panorama geral da palestra vamos fazer um breve resumo.
A palestra começou com um retorno aos anos anteriores, que precederam o golpe, mais do ponto de vista da economia. Para entender esse desenvolvimento, o companheiro Alejandro voltou à década de 30 para falar do acúmulo da República Velha e lembrar da crise que levou às revoluções tenentistas no período até a Revolução de 30.
A Revolução de 30 abriu espaço para o desenvolvimento das forças produtivas com características nacionalistas. Mesmo no Estado Novo que foi o governo semi-fascista de Vargas. Porque esse era um desenvolvimento natural da economia.
A 2ª Guerra Mundial impulsionou as tendências nacionalistas na América Latina que pode se ampliar devido a fraqueza do imperialismo, desgastado pela guerra. É o período de desenvolvimento da indústria nacional na siderurgia, petróleo etc.
Um golpe para conter as forças do movimento operário
Após a morte de Getúlio Vargas assume o poder Juscelino Kubitschek sua grande obra, a construção de Brasília, primeira grande obra que resultou no exponencial crescimento e endividamento do país.
Entra João Goulart e começa o ascenso do movimento operário na década de 60. O golpe militar foi dado para frear as tendências revolucionárias que cresciam no País e o desenvolvimento da indústria nacional para entregar a economia para o imperialismo.
A ditadura começa com Castelo Branco e o PAEG para “estabilizar” a economia, mas na verdade é a entrega da indústria para os monopólios o que não durou por causa da crise mundial. Ele é quem começa os ataques aos sindicatos, mas o objetivo é sempre atacar em larga escala as condições de vida dos trabalhadores.
Nesse governo são editados os Ato Institucional número 1 e 2. Na sequência, entra o governo Costa e Silva, quando são editados o AI 3 e AI 4. É marcado pelo movimento estudantil de 1968.
Entra então Médici que fica no governo até 1973.
O tal milagre econômico
O milagre econômico estava baseado basicamente no investimento em obras de infraestrutura. O que possibilitou crescimentos superiores a 10% ao ano, e muito prejuízo.
Os principais projetos foram: Hidrelétrica de Itaipu; Ponte Rio Niterói; Projeto Carajás; Projeto Jari; Pró-alcóol; Transamazonica; Radan; Usina de Angra, e outros.
- Itaipu foi construída por construtoras francesas e brasileiras a lucros extraordinários; - Projeto Carajás só agora está sendo concluído; Jari era para ser um pólo petroquímico no Pará que faliu e deixou prejuízos; a Transmazonica todo mundo conhece como um projeto faraônico, na verdade dói feito para controlar a Amazônia militarmente e promover o lucro através do desmatamento, facilitando a produção de minerais abrindo a mata também para plantação de cana.
O objetivo era simples, garantir lucros aos capitalistas e a robalheira do governo. Neste período ficou conhecido o apelido do ministro Delfim Neto, o homem dos 10%).
A crise econômica e o ataque às condições de vida dos contra os trabalhadores
Para se ter uma ideia, em 21 anos de ditadura a dívida pública subiu 30 vezes. Em 1964 era de 3 bilhões, em 1985 estava em 90 bilhões. Hoje o endividamento é de 4 trilhões e o governo reserva 47% do orçamento nacional para garantir essa dívida através do superávit primário.
É importante destacar que as empresas que se favoreceram do regime, participaram dele o apoiando de diversas maneiras. É conhecido que o jornal Folha de S. Paulo emprestava carros para o transporte de presos. E a Ultragaz financiou e participou de torturas.
Enquanto isso, as condições de vida dos trabalhadores foram brutalmente atacadas.
Os salários rebaixaram brutalmente. Em 1974 o salário era metade do que era em 1960. Isso porque os trabalhadores não tinham direitos, sindicatos, nem data base. Na conta da cesta básica: em 1959 um trabalhador precisava de 65h para comprar sustentar sua família, em 1974 era necessário 165 horas.
A concentração da riqueza também foi às alturas. Em 1974, 4% da população concentra 37% da riqueza nacional. Antes era 26%.
A ditadura quase levou o Brasil à bancarrota. As obras geraram especulação financeira na bolsa que já em 1971 começaram a cair. Em 1974 explodiu a crise do petróleo em todo o mundo. Aqui no Brasil o preço do petróleo aumenta e as exportações nacionais caem. Esse é um fator fundamental para da crise da ditadura.
Com Geisel inicia-se a abertura da economia. 1976 é o período de crise e de ascenso estudantil e do movimento operário. Isto devido ao aumento inflacionário e ao desemprego. Uma conclusão do marxismo é que a classe operária se movimenta por condição material ou se movimenta ou morre.
Nessa época a realidade brasileira e em todo mundo era de inflações nas alturas. Não foi por menos que Lênin disse que a inflação é um fator dos mais revolucionários. No Brasil em 1973 a inflação era de 15% ao ano; em 74, 34%; em 79, 90%; em 80%, 110%; em 83, 200%. Em 1983 as oposições sindicais tomam os sindicatos pelegos e fundam a CUT.
Em 1985 ocorrem 15 mil greves. Todas as ditaduras caíram com base essa base material. Elas caíram por causa dessa crise. Mas os governos seguintes deram sequencia à mesma política com a fachada democrática. O que o Castelo Branco não fez, os governos civis do PMDB, PSDB e PT fizeram, sem a aparência de milagre econômico e com fachada democrática.
Um exemplo foi a venda pelo PT do campo libra. Política pró-imperialista e neoliberal. Querem tudo a nível de terra arrasada repetir e aprofundar os ataques da ditadura militar.
Mas o PT não tem condições de aplicar todos esses ataques. É tarefa para a direita, que, no entanto, não consegue se eleger. Esse enfraquecimento é o que leva à movimentação golpista, como ocorreu no Egito e na Ucrânia.
O próximo período deve ser de grandes greves e luta aberta entre a classe operária e a burguesia, que tenta impulsionar o fascismo e o golpismo.
#GolpeNuncaMais #50AnoDoGolpe
(texto copiado)
Fonte: Causa Operária online

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